O que mais me chama a atenção é a necessidade que os anciãos têm de uma conversa. Isso me fascina de uma maneira interessante.
Tem um certo senhor que todo dia fica na mesma parada que eu. Fico normalmente bem longe, porque os banquinhos embaixo da cobertura onde ele senta são cobiçados. Mas, quando fico impaciente esperando o ônibus, fico em pé mesmo, na frente dos banquinhos. Aí então me concentro no comportamento do senhor. Sempre desesperado atrás de uma conversa qualquer, solta comentários aleatórios para ver se é retribuído por algum dos aperriados que esperam a condução passar. De vez em quando aparece uma ou outra pessoa disposta a jogar conversa fora com o velhinho, que nessas ocasiões conta orgulhoso suas aventuras, suas longas caminhadas do cemitério até o estádio, depois até a prefeitura..
Em certos momentos, explode uma imensa vontade de sentar-me com ele e deixá-lo contar todas as suas histórias, por onde andam seus filhos, os seus vizinhos que morreram e dar um dia de orgulho ao senhor, e é sempre nesse exato momento que vejo o meu ônibus dobrando a esquina e vindo ao meu encontro, e tenho que deixar o velhinho soltando palavras ao vento.

7 críticas destrutivas:
Eu entendo algumas dessas coisas, tenho alma de velho, tô de saco cheio das coisas e adoro tagarelar também... mas reconheçamos: isso não é privilégio dos senhores de idade. Você diz que os anciãos têm necessidade de uma conversa, e fascina-se por isso. Eu digo: todas as pessoas sentem essa necessidade. Obviamente há aquelas - a maioria - que ainda está muito refém das convenções que nos cercam, e que nos distanciam de nós mesmos e que impede que tenhamos mais hábito de conversar com estranhos. Essa necessidade que os velhinhos - e, como falei, todos nós - sentem é, tão-somente, uma pura forma de extravasar sua egolatria, o sentimento de adoração de si mesmo que perpassa por eles e por todos os que compõem a nossa espécie (obviamente, como em tudo, há exceções). Você poderia ter se aprofundado mais na questão, lamento que tenha se restrito a isso, tenha ficado na superfície do tema, o que o levou a morrer nessa obviedade, reconhecendo como propriedade dos velhos um sentimento que é comum a todos - e ainda querendo dar um ar de nobreza a isso. Que há de bom ou nobre em regozijar-se para um estranho, afinal?
Eu também adoro ouvir meus avôs. Eles tem tanto a ensinar! Minha tia avó é outra que já viveu muita coisa, parece que viu de tudo no mundo.
Meu pai sempre disse: Escute os mais velhos, ele sempre tem boas historias pra contar.
;)
Mudou o layout?
gosteeei.
:)
eu sou apaixonada com a minha avó, gosto muito de dormir ouvindo ela contar historias pra mim, parece coisa de criança, mas sou eu.
É sempre bom andar com "senhores de idade". Meu avô vivia contando suas vivências quando era jovem, que chegou a ir a Europa duas vezes de graça. Recentemente conheci um professor aposentado de matemática... puxa papo até...
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