Depois desse orgasmo intelectual, pedi mais uma picanha e me deixei esvasiar a cabeça.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Pensamentos políticos..
Outro dia fui a uma comemoração de aniversário de um amigo em uma churrascaria bem chique da cidade. Não costumo ir a restaurantes tão caros assim, me senti um pouco deslocado mas depois que chegou a comida, não me importava mais com nada além de comê-la. Depois de terminar o almoço, comecei a analisar as pessoas que ali estavam: médicos, engenheiros, empresários, doutores, mestres. Até que reparei em um grupo de casais de classe alta. Eles estavam bebendo e brincando no piano que havia no lounge. Começei a pensar como seria a vida dessas pessoas, sem preocupação nenhuma, cursando faculdade particular, vivendo em uma bolha, sem se preocupar com o mundo que acontece lá fora. Depois de refletir um pouco sobre esse estereótipo, pensei como todos nós, pessoas normais que esperam um dia obter sucesso financeiro, reagiríamos se chegássemos a esse estado, o que me levou às perguntas: será que o cara mais revolucionário só faz a luta por estar em uma situação em que haja a necessidade particular, individual? será que ele continuaria na luta pelos direitos do povo depois de conseguir o poder, o dinheiro? a resposta para essas perguntas veio quando pensei nos políticos que se dizem de esquerda, e quando são eleitos esquecem dos seus valores e promessas e passam a ser mais um fantoche na mão dos mais poderosos. Porém daí nasceu uma admiração muito grande pelos políticos que mesmo após serem eleitos e ocuparem altos cargos, continuam com seus ideais, sem deixá-los serem abalados pela ganância. Então me dei a pensar em algum político que se encaixasse perfeitamente nesse perfil pelo qual tinha admiração. Não achei nenhum. Decepção.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

3 críticas destrutivas:
realmente, em minha primeira visita a este conhecido e comentado blog, percebo visivelmente um aspecto bem arrojado e planejado deste dito blog. gostei muito mesmo. Abraços.
Camarada,
Imagino que escreverei nesse comentário mais do que você em sua postagem, mas a prolixidade é um defeito que carrego, é o pior de todos os meus defeitos (quem dera fosse...).
Tudo é uma questão de convencimento. Existe muita gente que gosta de dizer que "durante a juventude, lutava por isso e aquilo, e depois acomodou-se"... na verdade, tais pessoas nunca tiveram convencimento da luta - ou, se tiveram, deixaram-nos esmaecer ante a ideologia altamente convidativa de individualismo e liberalismo que o nosso sistema oferece (impõe).
Todo cara que luta tem que estar ciente de que está suscetível à perda de sua ideologia. Ora, qualquer pessoa que faz passeio turístico, come em lanchonetes/restaurantes caros e usa roupas de grife pode ser facilmente cooptada para um pensamento mesquinho e que se reduza à busca da grana, mas é preciso que desde cedo se assuma enquanto militante convencido - e que este convencimento se reflita nas suas posturas, nos seus atos, e, sobretudo, nas suas leituras.
Tu diz que não se lembra de nenhum político que permaneça mantendo seus ideais e eu te digo porquê: é uma questão de circunstância. Pensemos em alguns políticos conhecidos de nosso estado e que surgiram das lutas de esquerda: Mineiro e Fátima. Ambos mantêm seus posicionamentos, seus princípios... olha que falo isso com sinceridade, porque nem gosto deles tanto assim (aliás, entrei no PT justo com propósito de quebrar a hegemonia deles no partido) o que mudou neles foram as circunstâncias que os envolviam... crescimento do fisiologismo nos partidos, partidos de esquerda se cooptando para o centro, e infelizmente existe muito pouca história de democracia no nosso país - o que impede de aprendermos com a nossa história. Por que digo isso? Digo isso porque fazer alianças com a direita, com a oligarquia, não é, em si, algo questionável; o que é questionável é quando essa aliança traz em si a renúncia aos próprios princípios.
Mineiro sempre foi um cara de luta, até 2003 ou 2004 vivia em passeatas, fazia passeata pra tudo, até contra a Guerra do Iraque ele já fez... mas se encastelou por via das circunstâncias. Ele não tinha uma experiência pra analisar (a experiência de ser de um partido do governo). Hoje, essa experiência existe, e é válida para quem está começando na luta. Entende o que quero dizer, meu amigo? A luta segue e os erros seguem em paralelo - só assim é que se constrói algo. Hoje, vive-se muito melhor do que se vivia há 50 anos, quando já se vivia muito melhor do que se vivia 50 anos antes. Qual o crédito dos partidos e movimentos de esquerda nisso? ENORME, vez que eles que financiaram e promoveram, nos últimos 150 anos, todas as grandes lutas por direitos - salários, férias, meias passagens, licenças, voto... nada disso caiu do céu.
(continua)
(finalizando)
Portanto, meu amigo, tu estás vivendo um novo momento num país bastante contraditório (e por isso mesmo, muito mais rico em experiências para análise). Existe muita gente que chega ao poder e luta pelos seus princípios de militantes. Hoje vivemos um momento xeque na América Latina, com Chávez, com Morales, Correa, Ortega e vários outros - talvez nenhum deles estivesse lá se o presidente do Brasil não fosse Lula - que não é nenhum revolucionário mas é um baluarte inconteste da esquerda latina. É por isso que devemos lutar: para guinar nosso país mais à esquerda. Não ignore as conquistas que alcançamos, muito menos as desigualdades que temos conseguido, muito aos poucos, reduzir. Tudo isso é fruto de luta e suor, de greves, de passeatas, de poder político acumulado à carga de muita reunião, marcha e leitura.
Hoje, um presidente latino-americano, por obedecer aos princípios que o tornou político, está proibido de entrar em seu país. É Zelaya, presidente de Honduras. Foi golpeado escrotamente pelos militares que promoveram um golpe à velha moda da CIA dos anos 50 a 70. Mas hoje há uma diferença: todo o operariado e compesinato hondurenho se levantou a seu favor, e junto deles também se levantou todo o continente latino-americano, pela primeira vez autônomo, pela primeira vez soberano (FHC nunca levantou voz contra os golpes promovidos contra Chávez, Gutierrez e Fujimori; todos eles ocorridos sob absoluto silêncio da diplomacia brasileira).
Para a frente e avante, saudações socialistas!
Postar um comentário